Da luz terna e antiga

stina

 

Passado o giro do sono, eu, desejante, queria me sentir especial. O mistério preto e velho sutilmente soprou rasteira de humildade. Orgulhosa como humana ferida, caí bonito no reflexo de minha própria vaidade. Foi feito o raio x da carcaça e do recheio. Sem ter o ocultismo revelado, possuo noção partida de que apareci nua para o etéreo.

A importância real foi vista sem nervos ópticos, e me envergonhei transparente. Bem provável que meus deleites imaginários tenham sido expostos, como a fome diante do almoço corrido pelo ar do vizinho, do rastro perfumado de casas miúdas quando o relógio se aproxima das onze horas matinais. Tão natural que impressiona. Remexe por dentro. Desestrutura a cultura prepotente.

Lenta no tempo certo e reluzente em sua brandura, a paciência antiga escutava meus delírios e esperava minha coragem, levando o ouvido mais perto de minha boca vacilante que soltava palavras acanhadas. Só a paciência poderia ouvi-las, mesmo tendo a certeza de que meu eco ultrapassava infinitas dimensões. Folha verde com água, mão direita que aperta. Marca doce em minha memória.

“Espere a carruagem”, ele disse. Não há necessidade de saltar na maratona da vida sem saber qual estrada rodar. Como nas tentativas frustrantes de agarrar a poeira dançante que ri solta na claridade. Cada canto em seu devido momento. Em algum lugar já está a espera de todo o tempo.

Pureza enérgica foi o que senti. Quis tanto que acabei acertada em meu devido lugar. O lado de fora cobra meus passos; o de dentro me aprisiona em gaiola de mortas grades. Por estarem podres e azedas, encontro-me em posição relativamente fácil de me jogar em voo aberto.

À procura de minha verdade extra-sensorial, corto barreiras com exercício de contenção em banho maria. Pedi pelos cristais, caminhando meio torta, impulsionada pelo brilho berrante de liberdade.

Estou atenta, parada num ponto que se movimenta. Por baixo, acendo a flecha do recomeço. A direção não é mais à frente. Meu destino é vertical, evoluindo para outros reinos.

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