Espreguiçadeira.

Martine Johanna

Na preguiça eu danço deslizante. O tempo colabora com o desbotamento cinza e forte da atmosfera. Terei eu estendido os braços vagantes em passos cativos?

Sentada na poltrona verde folha, nova com furos de poá, meu êxito foi recebido como fracasso ao cumprir o ato primordial do dia. Minha mente dormente se mostrou, e ao percebê-la dentro de mim, matei imediatamente e sem querer os tons da vontade.

Enquanto me movo ágil e articulada, como um réptil nobre pelas tábuas de madeira clara, tento, missionária, não falir novamente em responder mensagens de amigos longos e queridos. Dificuldade irritante.

A resposta veio sob forma de sol acanhado, que com sua luz fina e vaga soprou aos meus olhos: “Do lado de cá estão os momentos”. Encarei seu encanto, murmurando que não poderia voar no agora, meu destino ainda não havia sido revelado. Não dependo do traço feito, mas ainda assim repeti, redundante: “Não agora”, e o alaranjado foi-se embora, levando as passagens para o momento certo.

Cansei da paisagem e voltei à preguiça. Sem demora, limpa e horizontal. Que o acinzentado rechonchudo pelas nuvens gordas perdure até escurecer.

Hoje o desejo é aqui dentro. Contentamentos despreocupantes com chocolates audiovisuais. Vivo de acordo com meus giros.

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