Ócio em Tempestades

Felicia-Atanasiu-part2-6

Não sei quem vem primeiro, se é a nuvem, ou se sou eu.

A roda digitalizada em vermelho continua sem cessar, viciante em si mesma. Dando voltas egoístas, dá de ombros com seu olhar selvagem, sem se preocupar com a humanidade dependente. De humana, ela nada tem.

Resistente à escandalosa ventania, o céu grisalho permanece firme, imóvel como tronco de árvore bendita. Bem feita.

Agradeço por rodopiar em círculos, ultimamente. Com passos mansos vou abandonando as linhas de velhas correntes.

Não, não quero ir junto. Quero sentir o sossego da minha solidão.

O eco oco das paredes vazias, repletas de ar, escancara as satisfações de quem vai à rua sem medo: o coração importa mais. Exporta luz de irmandade.

Torno-me irmã de mim. Por um passo, amiga. Pela jornada, amante.

Possuo o espaço. Cravo laços com o trovão. Peço aos raios um espetáculo.

O miado curto do gato vadio se espreme por entre os telhados. Sinto saudade da Juju. Jujuba é um bom nome, aliás. Gostoso e colorido, malandro como açúcar.

Queria ter o riso fácil da malandragem. A sabedoria sobre os ares. A gentileza dos dedos fortes. Cabeça erguida como elemento de oxigênio: se inspira sem perceber.

Quero um relâmpago só para mim.

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