Segunda, Dia Útil

IMG_4774

Acordei sem saber quem eu era. O lençol de algodão seco impedia o despertar dos meus olhos, castigando a pausa do descanso com tremedeira de um corpo descoberto, perdido em sua própria cobertura.

Coloco a culpa no tecido frio. Foi ele quem invadiu meu sonho apagando as migalhas da memória. Era um sonho bom, aconchegante como manta gasta. Agora, cósmico, viaja para seu esconderijo inóspito.

Pano leve não se encaixa entre extremidades agudas de formas consistentes. Não pesa o conforto do qual uma pele em arrepios precisa. E assim fiquei. Arrepiando contorcida no gelo da madrugada.

Acordei sem pedir. O cheiro da cozinha assassinava minha súplica em posição fetal. Antes mesmo de despertar, me lembrei da criação da criatura minha, responsável por eternamente recriar.

Em farrapos me rendi ao clamor da manhã comum, e, cambaleando, fui em direção ao café passado no pão com manteiga. O xadrez me vestiu, resmungando rastejante o não, não quero, vencido pela vida que estapeia a cara dos mal agradecidos. Obrigada, vida, por mais um dia. Por favor, não me bata hoje, serei boazinha.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s