Nos Embalos da Paranoia

tinari

Tenho uma amiga neurótica. Partilhamos do mesmo grau. Se é primário ou secundário, pouco importa. A qualidade equivale à controvérsia das convenções.

Passeamos lado a lado por dimensões paralelas. Em fase de cultivo, semente ou provação. Grita comigo e eu choramingo. Ela fala, eu escrevo. Me xinga, aborrece, estremece a instabilidade.

Seu tapa na cara é acompanhado por abraço terapêutico. Quero matá-la. Me resgata, sacoleja e me acorda para a vida, estampando a realidade no desequilíbrio das minhas rugas e me puxando com força de viagens enlameadas.

Rindo do absurdo costuramos teias interplanetárias. Ela fala e eu escuto. Eu digo e ela rola na loucura de confissões inalcançáveis para o homem comum. Quem é este homem? Tudo o que não somos nós.

E de tão diferente, me sinto normal. Porque adequar-me a mim mesma também cansa.

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