Às Convenções

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Nunca fui boa com protocolos. As regras prontas, antes mesmo que eu soasse meu primeiro berro, sugam minha circulação espontânea e ofegante. Sou discípula do movimento.

Convites solenes antecedem cerimônias soníferas. Solicitam gravatas aos abraços, discursos ao coração e trajes incompatíveis à luz da sincronia.

Dê-me todas as cores que eu destruo de vez a rigidez dos procedimentos. Assino com flores. Cumpro o contrato com o amor que já existe em mim.

Há tempos, desconheci a esperteza. Dance uma valsa de gentileza e ganhará minha obediência alegre de sentido.

Sou avessa ao grito. Inoportuno às demandas pedintes, só perpetuam o revirar dos meus olhos livres de padrões gastos e cansativos. Leve-me logo à pré-história para que eu me transmute na selvageria das cavernas, menos previsíveis que o bando seco de solicitações entediantes.

Afogue-me em rio doce que minha alma se liberta. É o que importa, afinal. De uma coisa apenas desejo ser dona: da liberdade pura e total. Proprietária de ser o que se é.

Um brinde à realeza dos meus próprios passos.

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3 comentários sobre “Às Convenções

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