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cute

Quando a cabeça lateja, o estômago engorda de fome. Uma fome insossa e consciente por não deter o capital mínimo capaz de forrar a barriga que, de tão oca, se torna presente.

Sua presença é impossível.

Até às três horas de hoje minha humanidade não conhecia a existência do frango orgânico. Se esse frango é orgânico, então confirmo absorta e surpresa a comicidade de que, obviamente, todas as aves se tornaram verdadeiramente transgênicas.

O presunto é cru, o pão é preto e o requeijão é do norte. Amparada pela minha ignorância alimentícia, faço cara de paisagem e não sei o que isso significa. Nem mesmo o verme que se debate faminto e babão nas minhas entranhas não saliva desejo.

A bancada gourmet descrita com grãos e leguminosas distraiu-se de mim. O preço é longe e, minha timidez, oprime olhar mais de perto a mastigação recheada dos que possuem a bufunfa real.

Fingir ser rica sai caro, mas desmaiar também não é uma opção. Não no momento.

Uma gota expressa vale sete papeis.

Começo a ter medo das minhas feições de cão abandonado ao lado das mesas, na esperança por uma lasquinha.

A esperança está no pão de queijo de uma nota simples, porém valiosa, remetendo a um resgate de forças.

Tudo pela arte.

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