Estação Abstrata

hannah

Abro os olhos e o dia fresco. Cores legítimas anunciam o outono que, atrasado, finalmente deu às caras. A grama seca sugou toda água escorrida pela madrugada. Desidratada, pobre coitada.

Jamais pensei que seria amansada pela alegria de encarar o cinza amplo e nublado acima de mim.

Simplicidade perfeita faz nascer magia sob novas roupagens.

O som do frio, limpo como serenidade. O mar de andorinhas é cardume sobre ar suave, azul anil.

Descanso no sol igual velha na calçada.

A esfera dourada aquece minhas sardas, preenchendo as sombras circulares que ainda restam em minha alma.

Há uma estranheza no espaço, tão abstrata que me perco na tentativa de decifrá-la. Serão impressões de momentos passados?

Começo a entender: é a nova estação germinando dentro de mim. Acompanhando a natureza, despeço-me das folhas antigas que não me servem mais. Sou árvore, também.

Aprecio, aberta ao vento, constante renovação. Transito entre o imediatismo e a esperança otimista, rendendo-me aos mistérios calmos da sabedoria.

A certeza branda basta: sonhos lindos chegarão.

 

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