Depois do Sonho

naomi

Minha cabeça parou num labirinto onde não cabe gente.

Sempre que viajo a volta me pega de surpresa. Vou embora obrigada não sei por quem, me despedindo de uma saudade enjoada.

Ainda não engoli a estupidez de tentar controlar meus sonhos largos, esvoaçantes. Tenho solavancos de arrogância. Desperdiço energia e me lamento, sozinha, em uma infantilidade cremosa.

Naquelas noites, a cada passo que eu dava minha estrada se alongava. Chorosa e dramática, me esbanjei no exagero, enfiando a alma na jaca do avesso e por inteiro.

Salguei o milho da pipoca com lampejos à frente: pensava no doce negro brasileiro. Brigadeiro, é seu nome. Confortou meu azedume numa panelada só. Quis tanto a sua moleza que já o desejava como sobremesa no dia seguinte, me esquecendo de lembrar que toda a consolação já havia sido devorada, sem escrúpulos.

Ontem mesmo comi todos os pães fofos ainda vivos.

Por isso não ando bem da cabeça. Embarco em docerias fantasiosas. Luto contra o sono por acreditar que posso segurar as escamas do tempo.

No labirinto das voltas que abro em mim, me perco por querer demais a vida.

Existe diagnóstico para compulsão por sentimento?

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