Frida Kahlo – Suas Fotos e Olhares Sobre o México: exposição fotográfica acontece em São Paulo

De 03 de setembro a 20 de novembro, o Museu da Imagem e do Som (MIS) em parceria com o Centro Cultural Porto Seguro realizam exposição de fotografias do acervo pessoal de Frida Kahlo

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Frida Kahlo surgiu em minha vida como um furacão de beleza artística, ensinando-me a criar forças quando minha alma parecia se afundar em eternidades pós-operatórias. Sua figura veio a mim logo depois da minha primeira tristeza cirúrgica, uma ferida aberta e oca, do tamanho de um abacate velho, que carregava apenas a casca.

A magia de transmutar dor em arte atravessou meu cóccix recortado, plantando semente esperançosa em meu coração. Se Frida passou por 39 bisturis e incontáveis gazes enfaixadas, construindo um império vitorioso e renovando-se de forma autêntica e transcendental, quem era eu para reclamar dos sonhos aeróbicos que nunca mais seriam realizados?

Foi logo após de ler a biografia de Camille Claudel. Caloura na vida e no curso de Psicologia, meus 19 anos ainda carregavam todo o doce do mundo. Aprendi a fazer meus próprios curativos e a superar uma dor interminável, resultado de diagnósticos embaraçados pela ignorância médica.

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Amigas de república e juventude florida me recomendaram a leitura de tais moças fortes. Fui influenciada por Frida e Camille, cada uma com sua força e arte brutalmente avassaladoras.

Óbvio como o sol nascente dia após dia, minha dor não se comparava nem ao segundo mais pacífico da vida de Frida, mas eu gostava de me identificar com seus obstáculos e sua feminilidade sem rótulos, a ultrapassagem de padrões caquéticos demais para um espírito livre e selvagem; um espelho da minha essência.

Frida Kahlo, uma vida petrificada em transgressões além do próprio tempo. Nunca mais fui a mesma após afundar-me em questionamentos e revelações cada vez mais profundas sobre sua personalidade incomparável, expressão artística singular, seus pensamentos revolucionários e um estilo de ser baseado na mais pura subjetividade. Consegui a sustentação necessária para levantar da cama com uma força interior que ainda era desconhecida para mim.

Frida é atemporal.

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 Por este ensaio e outras intimidades não reveladas é que tremo quente ao saber de exposições ou qualquer susto delicioso que tenha Frida Kahlo como protagonista, coadjuvante ou figurante. Para mim ela sempre será a peça principal.

Desta vez o universo intrigante de Frida estará em São Paulo até o dia 20 de novembro, graças à parceria do MIS (Museu da Imagem e do Som), responsável pela exposição Frida Kahlo – Suas Fotos com o Espaço Cultural Porto Seguro, que carrega os Olhares Sobre o México.

O acervo pessoal de fotografias permaneceu guardado por mais de cinco décadas na Casa Azul, a pedido de Diego Rivera, marido de Frida. Nesta casa, rica em cores dignas de uma paleta mexicana, a artista cresceu e morreu. O prazo para tais tesouros serem descobertos era de 15 anos, mas foram abertos muito tempo depois, por Dolores Olmedo.

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Era no banheiro da casa que as especiarias fotográficas estavam carinhosamente escondidas, com retratos recortados, vivos pelas intervenções da própria artista multifacetada, que nos registros de amigos e imagens históricas expressava pontos recheados por afeto.

A coleção, que já passou por Curitiba, Lisboa (Portugal), Tijuana (México), Kazimierowka (Polônia), entre outros lugares, conta com uma coleção de memórias valiosas e enigmáticas. Abertas publicamente a partir de 2007, o acervo é composto por 6.500 imagens. Pablo Ortiz Monasterio fez a curadoria para São Paulo, selecionando 241 fotos para a exposição. No meio de preciosidades fascinantes, há cartas, documentos, desenhos e fotografias tiradas pelo seu próprio pai, Guilhermo Kahlo.

No MIS, os cenários estão absurdamente ensurdecedores. Há uma rota a ser seguida, e cada caminho remete à uma fase especial da vida da artista.

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O início se dá com o espaço Origens;

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Dando continuidade, a Casa Azul;

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Política, revoluções e Diego;

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Corpo Acidentado;

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Amores e Fotografia.

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No Espaço Cultual Porto Seguro sobressaem as fotografias de Tina Modotti e Edward Weston, feitas no período revolucionário, com direito a retratos de Lênin, Trotsky e Stálin. Abaixo, fotos diretamente relacionadas à Frida:

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Experiências convidativas ao público: caracterizações como Frida Kahlo seguidas de uma fotografia, com a proposta de compartilhá-la nas redes sociais pela tag #retratosdefrida, acompanham a possibilidade de imprimir fotografias através do processo chamado “goma bicromatada”no ateliê Os Tons de Frida, além da vivência em estamparia  Pañuelos, a oficina de Paper Doll e O Baú de Frida, uma visita guiada especialmente para crianças.

Nos dois espaços há a exibição ininterrupta do documentário “Natureza Ferida – Memória Viva de Certos Dias”.

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Hilda Trujillo, diretora do Museu Frida Kahlo: “Quem é esta mulher emblemática que transforma dor em arte?”

Informações importantes:

Como as duas mostras são complementares, há transporte gratuito para o público de um espaço cultural para outro. A integração das instituições possui uma van à disposição, sendo que o ingresso permite acesso livre tanto ao MIS quanto ao Espaço Cultural Porto Seguro.

 

  • Frida Kahlo – Olhares Sobre o México

Quando: 03 de setembro a 20 de novembro de 2016 / terças à sábados, das 10h às 19h / domingos e feriados, das 10h às 17h / entrada até 30min antes do horário de encerramento

Onde: Espaço Cultural Porto Seguro – Al. Barão de Piracicaba, 610. Campos Elíseos, São Paulo. Telefone: 55 11 3226-7631

Quanto: R$ 6,00 (inteira), R$ 3,00 (meia). Gratuito às terças e Clientes Porto Seguro possuem 50% de desconto na compra de 1 ingresso + acompanhante.

 

  • Frida Kahlo – Suas Fotos

Quando: 03 de setembro a 20 de novembro de 2016 / terças à sábados, das 12h às 20h / domingos e feriados, das 11h às 19h / permanência até uma hora após o fechamento da bilheteria.

Onde: MIS (Museu da Imagem e do Som) – Av. Europa, 158, Jd. Europa, São Paulo. Telefone: 55 11 2117-4777

Quanto: R$ 6,00 (inteira), R$ 3,00 (meia), sendo gratuito às terças.

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