Pedido ao Domingo

elena

Não sei se durmo ou se me deito.

Me lanço ao sol sem querer me queimar.

Depois do almoço meu corpo vira geleia. Quero me debruçar sobre um tapete de grama fresca, protegida pela sombra dos braços compridos e rechonchudos de uma árvore bisavó.

Hoje eu queria que o domingo durasse mais três dias.

Três sopros de vento para cafunés que me faltam; três ruídos espaçados pela tarde; três filmes com cacaus meio amargos; três luas em forma de queijo branco, furado e macio.

Um repouso tranquilo, certo de que ao acordar será outro domingo.

Aqui os carros somem, guardados no lugar onde poderiam se alongar por mais tempo. A atmosfera fatigada grita há tempos por carinho.

Degusto a cantoria das asas, desbaratinada e elegante. A loucura vem da salada entre latidos e gargalhadas. A fineza é pela prosa de tantos versos ao mesmo tempo. Por mais diversa que seja, a harmonia se expande como um arco-íris ao despertar.

Coisa de natureza. Tudo criado para sentir.

Posso pedir uma pancada de cachoeira?! Meu ar próprio também clama por limpeza. Mas tem que ser daqueles jatos de ouro poderosos que atravessam os pulmões, liberam a garganta, bombardeiam o coração e puxam um riso frouxo, bobo e contente.

Com as cores alinhadas minha intuição se torna mais nítida. Leve, transbordo os olhares mais demorados.

É o luxo de uma preguiça sem peso na consciência, como se o tempo sobrasse devagar.

Eu quero é me amar.

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