Breve

izziyana-suhaimi

O escarcéu da ventania se aproxima e eu desligo o ventilador.

Os melhores ventos são os que se esperneiam, transformando terra em poeira brava e cabelos em nós. Nós bagunçados.

A tendência é espaçosa e fecham-se as portas, para que o pó vermelho não entre e grude no que encontrar pelo caminho.

Mas eu quero ficar à frente e ser levada por esse tufão de brisa, deslizando nos mares antigos.

Ele para e volta, brincando com o humor dos homens. Não obedece nem escuta. Se tem vida própria, por que calaria sua voz?

Tambores graves se anunciam espremendo-se entre as nuvens. Talvez seja o único cinza bonito que exista.

A areia velha tampa o que respiro e vira incômodo de sorte. Tem gente que é assim, como vento em terra rasa: chega causando alvoroço só por ter alma movimentada.

Eu gosto do movimento, da  quebra de paradigmas, das faíscas altas que clareiam minhas ideias sem precisar criar desastre.

Quem tem medo de tempestade?

Os cães carentes, as telhas bambas, os barracões escorregadios. Excluídos sem-teto. Nunca vi goteira ou gente descoberta receber raios de chuva com agradecimento.

Já me afundei afogada em enchentes. Pior que temporal, só coração ferido.

Hoje abro a boca para sugar a natureza. Se cuido bem dela, instantaneamente cuido de mim.

Não há separação nem fim, só a exclusividade de ser eterna.

Assim, rio baixinho, como se fosse um segredo só meu.

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