Da Mesma Substância

henrietta

Num traço libertei o que espremia minha grandiosidade, como formigas que pinicavam minha garganta, sapateando a voz ainda muda, carente de expressão.

Era a preocupação do amanhã. O emprego que não chega. O buraco negro em que tropeço nos desencontros da minha busca, sem véu, sem casca, abandonando couraças.

Ele não tem norte, nem sul, nenhuma dimensão definida. Uma cegueira iludida, capturada pela armadilha de uma gota morna chamada realidade.

Meu oceano é quem cria o real. São as minhas ondas que expulsam ou engolem o alimento desejado para nutrir a cor da correnteza, solta ou presa, cabe a mim.

Se é o momento de crise que se arrasta o país? Talvez seja uma escolha de uma eterna crise existencialista das minhas potencialidades. E das suas também.

A crise da confiança que falta, falha. Falta que carregarei sempre comigo, mas dessa vez ao meu lado. Falta amiga desejante do contorno, do preenchimento, do meu crescimento, mesmo que a um custo infinitamente maior do que uma vida apenas poderia sustentar.

Por isso estou em débito eternamente, e é bom que seja assim.

Erguendo sozinha toda manhã caída.

É assim o recomeço. Vem quando é chamado, mas espera, ao alto, que lhe seja dada a mão.

Temos as mesmas células, geometrias similares e nomes iguais. Começamos de novo numa incontável soma de chances, de braços abertos o amor incondicional.

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2 comentários sobre “Da Mesma Substância

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