Deixando Ir

gemma-capdevila

Quando o medo chega, sorrio para a sua fraqueza.

Num sussurro abraçado, gentilmente percebo que sua força anda amarelada, sorrindo banguela como um amigo insistente.

Neste laço, compreendo e o liberto: “Ei, mano velho. Passamos grudados por tantas escolhas tortuosas. Depois de todos os mangues, não há mais ar que sustente sua morte sobre mim”.

Escalando os espinhos cheguei no horizonte da roseira. Agora a luz é vertical.

Mudo de ar de mar revolto. No retorno às minhas ondas flutuo ao alento. Lenta na profundidade de uma paz que floresce.

Essa paz do que me é fundo sempre esteve inerte, adormecida, aguardando o fôlego cheio para o mergulho solto, sem nado nem norte.

É a aura do pôr do sol que me envolve, escolhendo o ouro dos céus como manto, quente e manso, no brilho macio do meu próprio centro.

Quem me contou isso foi a doçura do imenso.

Ela dançava sem música, me fitando de olhos fechados e ainda assim ultrapassando minha alma. Com os dedos breves marcava sua cruz no meu coração, abraçando-o, leve.

Um tempo que não dorme. É nessa piscada que eu vou.

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