Pôr de Mim

ian-fisher

Fins de tarde não me agarram mais pela angústia. Costumava sentir uma agonia asquerosa no peito, escura como vulto de quem tem dúvida se passou ou se não viu.

Fim de tarde agora é início de noite boa. Despedida fumê. Vai aumentando os ruídos escandalosos dos galos que não dormem.

As sombras tornam-se paetês caídos do céu. Tudo vira rastro, rajadas de nuvem na imensidão que não alcanço.

Como é que angústia pode florescer paz assim, em tão pouco tempo?

Recebo o crepúsculo com ar de leveza, sucinta. O coração canta manso enquanto os pássaros calam seus contos, distantes.

Espero por um pôr do sol sem fôlego, mais sufocante que o do dia anterior. É o degradê de cores que toma meu ar. Eu me deixo levar. Se pudesse, iria também. Mas só com passagem de ida bem feita.

Fim de tarde é sentimento que se renova. Peço para viver mais um tanto e pegar a atmosfera descolorida, soprando em minhas mãos encharcadas a calma sem vento.

Assim me renovo, aspirando as roupagens do céu.

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