Quebras que Emergem

Liu Chenyang

Eu peço, rezo, crio, e creio.

Que todas as minhas almas esquecidas pelo caminho possam se alinhar em uma só nota, como nó de nuvem que se revela.

Às vezes, nas margens compridas das estradas, a desconstrução de quem realmente sou quebra-se, tardia e mais ardida.

Se o chão é de terra, em meio à lama, a essência. Se é quentura cinzenta, rastros franzidos escurecem sonhos bem vividos. Quem poderia dizer que quebrariam-se ao mal? Meu mal é o seu bem?

Então o processo: construo uma nova versão de mim, na ilusão de que as passadas pudessem ser capazes de extinção.

O edifício, humano e esguio, acomoda todos os corações desejantes de amor. O alicerce desengonçado enraíza-se no querer ser amado, sem antes lembrar de amar a si mesmo.

Não demora para que as rachaduras apareçam, sem sorte de reboque.

Dobra-se em ruínas.

Alaga-se a imagem de quem eu me achava ser, e como num arroubo de tempo, vem o vento original trazendo, saboroso, a volta do que já mexia o coração.

E o coração se mexeu. Não como antes, mas como o mais largar de antigamente.

O sorriso clareando a vida que se movimenta, quase num drible de asas.

Quando a verdade surge nua, precaução não é demais. Alma sem véu dói aos que preferem enxergar uma outra esperança.

Mas se é. E o é volta ao Ser, tudo.

Calma, alma, que explosão de coração pulsante faz estrago.

Um pedaço de céu em cada redescoberta.

Honre a si, sem igual, obra prima. A ala da verdade vem a seguir.

 

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