Carta ao Extremos, Compulsivos, Extremistas e Afins

alex garant

Meu corpo, minha morada.

Templo criado para que meu espírito, desvairado em selvageria, seja moldado pelas dores e pelos amores de minhas escolhas, quase sempre duvidosas.

Prazo de validade: somente esta existência.

Instrumento artisticamente bruto, campo de crescimento, desenvolvimento e evolução. Exercício, aprendizado, gratidão.

Quem é disciplinado o suficiente?

***

Há pouco tempo decidi ser mais amorosa com meu abrigo de matéria.

O livre arbítrio de cuidar-me ou destruir-me se tornou berro de ventania. Saúde que urrava por carinho e atenção.

A cada expansão de consciência, continuar com velhos hábitos só distancia a fartura do sorriso.

Parece óbvio, mas não é tão fácil para uma alma hedonista como a minha.

O desejo de sentir tudo compõe-se de várias facetas, e tive o prazer de conhecê-las de perto. Nada agradável, porém enriquecedor.

No vai e vem do “só um pouquinho” à uma aura transgênica.

Mas a idade vai chegando, e após anos e milênios de círculos errantes, pensei: e se em cada ponta, independente do 8 ou do 80, eu plantasse redes elásticas de luz e vitalidade?

Do topo ao fosso, terei amor próprio suficiente para me sustentar.

Amor que se alimenta de irradiações coloridas das forças da natureza. Está tudo aí, brotando vida, à minha e à nossa disposição.

Se esta veste me foi emprestada, desejo me nutrir apenas do que me ilumina, em todos os sabores e sentidos.

Dei início a um resgate inadiável que somente uma formiga adicta, capaz de matar um brigadeiro de panela em menos de uma hora é capaz de entender.

Não é “só um pouquinho, não vai te fazer mal”. Não, não é “só um e depois você para”.

Meu amigo, não existe parada. Não há freio para compulsividade.

Para se atingir um grau digno de auto controle, muitas vezes preciso tomar doses intensas calibradas por medidas drásticas. Então calo meus ouvidos e faço o trabalho por mim mesma.

Porque nos momentos doces, todos sorriem unidos.

Na hora de juntar os cacos e sentir o açúcar que se tornou corrosivo, devorando meu organismo e minha vida, acabo, evidentemente, só.

Mas solidão não é solitude. É convívio compassivo com os próprios demônios.

Estar só, gentilmente, é reverenciar a presença divina que há em mim.

Assim, me reconheço. No tropeço, crio novos passos, me alimento do que vem da terra, vou em frente porque não há mágica maior do que ser única e chegar, um dia, na explosão de uma autenticidade pura.

A minha, a sua Verdade.

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3 comentários sobre “Carta ao Extremos, Compulsivos, Extremistas e Afins

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