Saudade de Raiz

catrin welz stein

Amoreira, inteira que você era. Quantas vezes te rodeei indagando sobre a vida?!

Sombra de luz acolhedora, um conforto ao recolhimento do meu coração marcado.

Eu me sentava por debaixo dos seus braços e, naquele espaço santo, sem esforço e sem tempo, você curava meu pranto.

Manto fresco de beleza farta e raiz robusta, eu sentia seu hálito longo enquanto pintava meus pés com a terra roxa e viva. Demorava minha limpeza porque gostava de ver seus beijos na minha pele, estouros aquarelados.

Impiedosamente castrada. Como os tipos cegos que não entendem o que sentem, talvez tenham pensado que você não sentia também.

Perdoa a ignorância. Poucos sabem o que fazem.

Quem decepa natureza faz chorar minha própria seiva. Da violência ao desrespeito à vida. Se eu pudesse ressuscitar sua majestade altiva, o faria.

Das faltas de consciência, do apagão de amor a este cheiro que provê toda doçura e lhe faz ficar de pé, pensa que não é extensão do corte sem volta?

De sangue verde e cheio, buraco.

Vi os pássaros descansando nas telhas do muro, nos fios dos postes, nos desconhecidos do ar.

Porque de galhos e abraços lhes faltou o pouso. Dos frutos as cores, das folhas, o alento, repouso.

Deve ser lição de desapego em redenção.

Espero neste ciclo seu bravo retorno.

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