Meus Delírios Pontuados

olaf hajek

Sendo Lua Nova. Consciente da trapaça deixei os rastros das minhas vontades, e já fui me notando ao longo do dia.

 

Serão dias de vendavais correntes.

A excitação de viagens, o ronco trêmulo de barriga borbulhante, a luta frustrante entre criação e a negação de expectativas.

Vem a vontade de fazer perguntas que não podem ser respondidas.

Sobre a movimentação cotidiana daquela terra, qual percurso me aguarda, minha imaginação abundante.

Aí me foco. Oi, presente. Vida agora que é a única a ser saboreada, de sugar os lábios ainda melados de contentamento.

Então eu paro e me atiro no céu. Me deparo com um arco-íris sonso, desbotado ao meio, como se estivesse ali só para mandar lembrança.

Como já é inato das sete cores, o simples relance já vale a espontaneidade de um sorriso, escondido pela surpresa estupefata.

Lá se foi ele, desmanchando nos barrancos de nuvens cinzas e roliças, estufadas de tanto segurar a chuva. Larga logo ela.

Eu, só aqui tenho essa vitamina de luzes, panorâmica. São várias e indescritíveis , simultâneas de fazer valer viver.

Guardo as melhores tintas para a viagem, que é para não faltar rabisco de registro.

E me pergunto se ela se pergunta.

Se é só neurose crua e farta minha, sem prudência, ou se é pensamento que se encontra em frequência.

Como disco arranhado que sou, escolho a frequência do otimismo desacerbado, da coragem robusta que fecha qualquer brecha ou espio de medo destemido.

Elejo a frequência da amizade, do reencontro, dos olhos antigos nos olhos novos uma da outra.

Vibração é de euforia. Ria. Do caminho aberto que grita pelo meu nome, minha alma livre que não sabe o que fazer consigo mesma.

Eu, entre o vão de Oxumaré.

E entre os delírios desnecessários e bêbados de ansiedade, A VIDA.

O gato que se abriga em sombra lenta de um telhado fresco e folheado, abaixo das pipas que sobrevoam contra o arco-íris e seu declínio.

Há muita vida numa varanda.

E toda essa bagunça ajustada me berra, novamente: “ignore seus pensamentos, e vá logo viver!”.

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